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Obesidade: uma batalha a ser travada diariamente.

É hora de parar de pensar no tratamento da obesidade como um vetor unilateral, para ter uma visão 360°. Não há como romantizar o ato de conviver com a obesidade, embora seja uma das doenças mais prevalentes na sociedade moderna.

Indivíduos com obesidade tendem a se culpar por sua condição, junto à seus familiares, amigos e até profissionais de saúde.  A solução “fácil e simples” nas palavras da maioria deles é: “coma menos e faça mais exercícios!” Mas, com base nessa velha teoria, essa mentalidade ignora a etiologia complexa e multifatorial da obesidade. Por isso, precisamos lutar para que um novo conceito de vida seja oferecido a cada dia.

Quanto mais precoce e severa a obesidade, maior é a redução da expectativa de vida e à frente, mais anos de vida com deficiência para enfrentar. Isso implica que adolescentes com obesidade experimentarão prejuízos à saúde ao longo da vida e, principalmente, sofrimento psicológico. Portanto, quando a prevenção da obesidade falha, há evidências suficientes para o tratamento da obesidade nesses pacientes.

Nesta edição dos Arquivos de Endocrinologia e Metabolismo, Cominato e cols. apresentam uma revisão concisa, mas completa sobre o tratamento da obesidade em adolescentes. Intervenções de estilo de vida, medicamentos e cirurgia bariátrica são discutidos profundamente.

A obesidade está relacionada a muitas comorbidades, piorando a qualidade de vida e diminuindo a expectativa de vida. Em adultos, os medicamentos para emagrecer melhoram as comorbidades e a qualidade de vida, assim como a cirurgia bariátrica, que também reduz a mortalidade.  Infelizmente, esses tratamentos não só estão indisponíveis para a maioria dos obesos que buscam ajuda, mas também são demonizados, agravando os distúrbios físicos e mentais desses pacientes.

As diretrizes da Endocrine Society recomendam medicamentos para perda de peso quando as intervenções no estilo de vida falham no tratamento de adolescentes, portanto o acompanhamento precoce com a nutricionista e o endocrinologista é fundamental.

A cirurgia bariátrica leva à perda de peso significativa e sustentada em adultos e adolescentes. Mas, o melhor momento e os critérios para encaminhar os adolescentes para tratamento cirúrgico devem ser decididos em comum acordo, entre a equipe multidisciplinar e a família, ponderando os riscos e os benefícios, individualmente.

Conforme apontado no artigo de Cominato, a obesidade na idade adulta está relacionada à obesidade na infância e, provavelmente, isso seja muito mais verdadeiro em pacientes com obesidade extremamente grave. Ressalta-se que o tratamento não vai curar, nem resolver esses casos de obesidade, mas sim controlar a doença.

Finalmente, as modificações no estilo de vida são, é claro, sempre a primeira e infinita abordagem, mesmo quando drogas e / ou cirurgia são usadas, porque os cuidados com a saúde das pessoas não se referem apenas a perda de peso, mas também a melhorar a saúde global.

Além disso, modificações no estilo de vida geralmente diminuem o escore do IMC. Para outras doenças, como diabetes tipo 1, por exemplo, a escolha alimentar e o controle da ingestão de carboidratos são recomendados com critérios estabelecidos.

As recomendações dietéticas no manejo da obesidade costumavam ser generalistas e talvez essa ausência de orientações mais específicas em um mundo repleto de alimentos hiperpalatáveis, vendidos com marketing insistente, seja quase impossível de seguir e impraticável manter uma alimentação mais saudável em longo prazo.

Com tantos estudos já publicados mostrando eficácia e segurança de medicamentos para emagrecer e cirurgia bariátrica, somados a modificações no estilo de vida, estigmatizar esses tratamentos para obesidade soa como movimento anti vacinas e suas notícias falsas: eles escolhem o que querem acreditar e compartilham, apesar da ciência. É hora de aceitar as evidências científicas, que irão melhorar o respeito e o cuidado às pessoas com obesidade.

 

Texto adaptado de Maria Edna de Melo

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